Cerveja é tudo igual?


Nossa relação com a cerveja é muito antiga, está ligada ao fim do nomadismo dos povos pré históricos, depois que humanidade domina o cultivo dos grãos e dos cereais não demorou muito até descobrir as maravilhas da produção e do consumo da bebida, que era ainda um "esboço" do que um dia se transformaria na cerveja como a conhecemos hoje.

De lá para cá muita coisa foi utilizada na produção da bebida, desde plantas venenosas e alucinógenas até cereais pré mastigados e cuspidos diretamente para a tina de fermentação. E é claro que em meio a tanta "criatividade", muitas bebidas horríveis e até mesmo perigosas acabaram surgindo. Por essa razão, logo nos primeiros conjuntos de leis das sociedades antigas a cerveja e sua produção já sofreram regulações.

Um exemplo clássico é o Código de Hamurabi, escrito aproximadamente em 1772 a.C., e que previa como punição para a produção de uma cerveja ruim a morte do cervejeiro por afogamento na própria cerveja.

Outra lei antiga e que é sempre referência quando se fala na preocupação com a qualidade da cerveja ao longo da história é a "Reinheitsgebot", a famosa Lei de Pureza Da Cerveja Alemã, promulgada em 1516 pelo Duque da Baviera Guilherme IV, reza a lenda, após uma ressaca em função de uma cerveja ruim.

Boatos a parte, a Reinheitsgebot regulava a produção e venda da cerveja em diversos aspectos, e uma de suas funções foi estabelecer um padrão para a cerveja produzida na Baviera e limitar o uso de ingredientes, não apenas para frear a utilização do trigo que precisava sobrar para a produção do pão, como também para frear a utilização do "gruit", uma mistura de ervas que nem sempre trazia um resultado saboroso ou seguro, substituindo-o unicamente pela utilização do lúpulo, dessa forma trazia-se segurança aos consumidores - e lucro para os mosteiros, que monopolizavam seu cultivo.

São incontáveis as menções à cerveja nas legislações ao longo da história e isso se dá em função da enorme importância da bebida em nossa Cultura e também pelos riscos da ingestão de uma bebida mal produzida.

E é claro que hoje em dia isso não seria diferente, a cerveja no Brasil é uma das bebidas que possui o maior número de regras, normas e fiscalizações de produção por parte do Governo, o que é ótimo para o Consumidor, mas que mesmo assim precisa ficar atento na hora de escolher sua cerveja! Nossa legislação é extremamente rigorosa com a produção da bebida e impõe uma infinidade de exigências para que uma cervejaria possa operar legalmente, o que por si só, ao menos garante ao consumidor que ele estará usufruindo de um produto seguro. Mas não necessariamente de um produto de grande qualidade. Para saber "separar o joio do trigo" na hora de comprar uma cerveja é preciso ficar atento e conhecer algumas dicas:

1- O ideal seria se informar um pouco mais sobre o produtor daquela cerveja que está chamando sua atenção, se tiver a oportunidade pesquise sobre a cervejaria e sua filosofia de produção, tem muita gente séria fazendo um trabalho incrível no mercado cervejeiro e também tem muito espertalhão querendo ludibriar o consumidor desavisado lhe empurrando produtos algumas vezes de baixíssima qualidade. Mas média dos consumidores não irá se embrenhar tanto na pesquisa pela próxima cerveja a ser degustada, isso é tarefa para os mais aficcionados, então ao encontramos uma nova cerveja em um ponto de venda será através do rótulo que buscaremos informações da cervejaria onde ela foi produzida:

2- Todo rótulo deve obrigatoriamente conter o Registro da Cerveja no MAPA, o endereço onde ela foi produzida, o nome empresarial e o CNPJ do produtor. Se não encontrar essas informações ou se elas forem falsas fique atento! Essa cerveja muito provavelmente não foi produzida em uma cervejaria regularmente estabelecida e não poderia estar a venda pois pode oferecer riscos à sua saúde, desconfie pois alguém não está sendo sincero com você.

3- O próximo passo é buscar pelas informações que algumas cervejarias não querem que você veja: Os ingredientes. É aí que você descobre se a cerveja é puro malte ou se possui carboidratos, cereais não maltados que foram colocados ali unicamente para baratear o custo de produção, sacrificando a qualidade, se foram adicionados ingredientes frescos e naturais ou aromas e extratos artificiais e se a cerveja recebe adição de estabilizantes e conservantes químicos.

Esses produtos químicos que ajudam as cervejas de grandes companhias a resistirem a longas viagens em condições desfavoráveis e aguentar muitos meses nas prateleiras também são responsáveis pelas piores ressacas.

Infelizmente mesmo tendo todo esse cuidado você ainda pode ser enganado, pesquisas recentes envolvendo cervejas ditas "artesanais" de diversos estados do Brasil constataram a presença de conservantes e estabilizantes na bebida que não foram informados no rótulo em quase metade das bebidas analisadas!


Pelo amor que nutrimos pela cerveja, em respeito a toda a trajetória evolutiva da bebida ao longo da história, que busca sempre o seu aprimoramento e pelo enorme respeito que temos pelo nosso consumidor, na Cervejaria Red Door produzimos nossas cervejas apenas com os melhores ingredientes, cultivamos nós mesmos muitos deles com todo o carinho e dedicação e jamais nos utilizamos de quaisquer tipo de produtos químicos em nossas bebidas. Nossas produções são rigorosamente controladas e analisadas diariamente em laboratório, cuidamos desde o armazenamento correto das matérias primas até o envase e estocagem das cervejas por cadeia refrigerada da cervejaria até o ponto de venda!

Portanto, se você é um verdadeiro apreciador de boas cervejas fique atento a esses pequenos detalhes que podem fazer toda a diferença na hora da sua degustação, no seu bolso e até no seu bem estar!

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